Romper a casca, romper casulo, romper ano, romper correntes...
Algumas vezes precisa-se ser forte para romper laços, romper sonhos, romper as barreiras do renascimento.
Estou renascendo, sim, estou.
Já nasci uma vez, singelamente, timidamente e brotei formosa. Desatenta, encantada demais pra enxergar com clareza... Fui colhida sim, acariciada, posta em um vaso e esquecida.
Ao me ver só, sem ser nutrida, definhei e aos poucos morri.
Morrer, romper, é necessario para resurgir, para renascer...
E aqui estou eu, em botão novamente.
Mas desta vez, para crescer forte, vistosa, em cores vivas, saboreando o vento e intacta. Pois no jardim que me replantei, mãos destrutivas não pode me atingir.
Pode sim me ver ao passar, ou sentir meu perfume ao passar por mim.
Agora tenho espinhos, agora tenho raiz forte, agora meu jardim é protegido.
E mãos imundas e agua suja, não podem me tocar, nem chegarão até mim.


